Eu adoro passear na Redenção em tardes ensolaradas de domingo. Mas depois que eu atravesso a José Bonifácio (JB para os michês que ali trabalham), alguma coisa acontece. Primeiro me surpreendo com as várias caras de Porto Alegre, depois me enojo e em seguida me conformo e volto a gostar da Redenção.
Muitas coisas chamam a atenção. Os mais velhos são poucos, reparei que só aparecem ali pra trabalhar, não pra lazer. Os mais jovens, adolescentes, vão ali pra um lazer débil, pra se exibir, pra tomar cachaça até cair e dividir o gramado com a merda dos cães, dos milhares de cães. Os jovens estão ali pra correr, pra gritar, pra chamar a atenção uns dos outros. Só que tem mais gente ali. Muito mais gente que não foi ali para vê-los.
Dois meninos se agarram, se chupam e se espremem no meio do público. Se eles soubessem como aquilo é ridículo, que não é manifestação da diversidade, não celebra nem o amor, nem a alegria, que é uma atitude imbecil pra desafiar pessoas que eles nem conhecem. Eles colocam a perder uma história toda em busca do respeito que muitos lutam para ter, e que muitos nem conseguem se aceitar porque atitudes como a desses pequenos cretinos só piora tudo. Os dois só queriam aparecer e eu queria era dar uma chineladas naquelas bundinhas magras.
É muita pobreza de espírito num só lugar. Uma infinidade de espíritos pouco evoluidos num só lugar.
Mas ainda temos coisas curiosas na Redenção. Como ele, o popstar anônimo, quebrando tudo com a mochilinha rosa (atrás dele, uma enorme garrafa de vinho marca-diabo que eu, fotógrafa incompetente, não consegui fotografar):

E, é claro, aquelas pequenas curiosidades que desafiam a razão. Numa banquinha que vendia mini-oratórios, entre miles santos, mais precisamente entre Sta. Edwiges e Sta. Filomena, encontramos Maria Elisabeth:

Se alguém souber quem é a santinha misteriosa, me conta!